A sinistralidade rodoviária regressou à agenda política, após anos na gaveta, desprezada. Não existe garantia do regresso de programas para promoção da segurança rodoviária, muito menos de reversão na tendência de mais feridos e mortos em vez de menos, como acontece desde 2010. Coincidência infeliz e macabra: tragédia na ex-EN255 (Borba-Vila Viçosa), com derrocada a provocar mortos.... Mais mortes! Encontrando-se o risco sinalizado, explica-se o comportamento das autoridades, que não encerraram via inapta para a circulação automóvel, mesmo depois de processo de desqualificação, com passagem da gestão para dois municípios alentejanos? Vergonha.
A distribuição de responsabilidades no aumento da sinistralidade rodoviária não poupa ninguém, do estado às autoridades policiais, dos condutores aos peões. Recentemente, no Dia Mundial das Vítimas da Estrada, Marcelo Rebelo de Sousa, alertou para a emergência de mudança no paradigma, apelando ao civismo dos portugueses e à prevenção na educação e na sinalização, áreas desprezadas há anos a mais.
Os números arrepiam… Entre janeiro e agosto, comparativamente a período homólogo de 2017, 1440 acidentes a mais. O número de mortos diminuiu (menos cinco), mas o resultado do frente a frente com os primeiros oito meses de 2016 é muito negativo, com aumento de 17%, ou 48 vítimas. Também alarmante: o ano passado, 77% dos acidentes mortais registaram-se nas localidades. Mas, paradoxo: as estatísticas confirmam crescimento expressivo da fiscalização, com mais 82,2% de autos de contraordenação. Nas prescrições, menos 74,5%, com cerca de 500 condutores em risco de perderem a licença de condução, por excederem os limites do sistema de cartas por pontos.
Desconhecemos se a redescoberta da sinistralidade rodoviária é apenas oportunista e temporária ou verdadeira. No segundo caso, obrigação de investimento quer na prevenção, com a reintrodução de campanhas impactantes, quer na modernização/recuperação de estradas e sinalização horizontal e vertical – vide o apagão na iluminação e a perda de capacidades refletoras. Não menos importante: privilegie-se, também, a renovação do parque automóvel, o mais velho de sempre! O ano passado, a idade média atingiu os 12,6 anos, contra 6,1 em 1995 ou 7,2 em 2000. Combinando-o com a manutenção deficiente e os comportamentos irresponsáveis – telemóveis, velocidade e manobras perigosas –, tempestade perfeita.