VW ‘mata’ motores de combustão

Eletrificação ‘acelera’ após o lançamento de geração nova de automóveis planeado para 2026

Opinião

Por José Caetano 30-12-2018 11:20

As réplicas do terramoto de setembro de 2015, após a denúncia pública da manipulação dos gases de escape em 11 milhões de automóveis com motores Diesel, continuam a sentir-se em Wolfsburgo, no quartel-general do Grupo VW, com o passado a condicionar tanto o presente como o futuro de consórcio no topo da lista dos maiores fabricantes. Independentemente dos resultados de 2018 (9,917 milhões de carros novos entre janeiro e novembro, desempenho que representa progresso de 1,8%, na comparação com os mesmos 11 meses de 2017), que abrem caminho a recorde que melhore o registo do ano passado (10,7 milhões de viaturas), a empresa insiste na eletrificação, prometendo apenas mais uma geração de viaturas equipadas, maioritariamente, com mecânicas de combustão interna. Produzi-la-á a partir de 2026.


A VW, marca-bandeira das 12 do consórcio, apresenta-se-nos como ponta-de-lança de estratégia que também pressupõe aumento na rentabilidade de 4% para 6% até 2023 (três anos antes do planeado), socorrendo-se, também, da redução da complexidade da gama, com menos automóveis, variantes e versões. Na Europa, diminuição de 25% na combinação de motores-transmissões, com a eliminação das caixas automáticas e dos sistemas de tração integral nos carros com mecânicas mais pequenas… Simultaneamente, plataforma MQB como arquitetura técnica de 80% dos automóveis, em vez de apenas 60%.


Para acelerar a revolução, os alemães comprometem-se com investimento de 11 mil milhões de euros até 2023, com condução autónoma, digitalização e fórmulas novas de mobilidade tão prioritárias como os carros elétricos – 20 em 2025, contra os dois de 2018. Para 2019, Audi e-tron, Porsche Taycan e VW I.D. Neo. Em 2030, no consórcio, três centenas de viaturas eletrificadas parcial ou totalmente. Mas, como a empresa atua globalmente, depois de 2050, encontrar-se-ão mecânicas tradicionais na gama, direcionadas para as regiões sem infraestruturas de carregamento de baterias.


Na Europa, ignorando-se a recomendação de cautela numa economia hipercompetitiva, contra China e EUA com regras próprias, planeiam-se ainda mais restrições, para teste novo à resiliência de indústria que representa milhões de empregos. Objetivo-2030, nas emissões de CO2, menos 37,5% do que em 2021! O bloco de 28 países persegue redução na média dos 130 g/km de 2015 para 95 g/km no final do próximo ano. Da noite para o dia, em 12 meses, missão impossível. Mas, nem assim recuam...

Ler Mais

Conte-nos a sua opinião 0

Opinião