O ano passado, as vendas de automóveis elétricos, alimentadas pelo Tesla Model 3, aceleraram 81% nos EUA. O crescimento da procura surpreende, mas a verdade é que os números ainda são pouco expressivos, por representarem apenas 361.307 exemplares (incluindo híbridos plug-in), ou só 2,1% dos 17,2 milhões de novos registos em 2018 no 2.º mercado mundial – também o n.º 2 na eletromobilidade, nos dois casos atrás da China. Todavia, recordando-se que Donald Trump, ainda recentemente, celebrou a descida no preço da gasolina, considerando-a «redução de impostos e estímulo ao crescimento económico», as perspetivas para mudança de paradigma na mobilidade não são muito otimistas. Isto indica-nos que o caminho para a eletrificação é, ainda, muito longo.
Mas, os EUA, como a maioria dos países desenvolvidos, confrontam-se com problemas ambientais e demográficos graves, que nem o negacionismo de Trump&Cia sobre as alterações climáticas é capaz de mascarar! O número de megacidades aumenta ano após ano e, de acordo com estudo da ONU, em 2050, dois terços da população mundial encontrar-se-ão concentrados em ambientes urbanos, com impacto tremendo no trânsito e na mobilidade.
Por isso, conceitos novos de transporte, precisam-se! O risco de colapso das infraestruturas impõe respostas imediatas. Na China, por exemplo, aprovou-se limitação das matrículas, mas existem casos de proibição temporária ou de interdição da circulação nos centros de muitas metrópoles.
A eletrificação diminuirá o impacto do automóvel no ambiente e a adoção de fórmulas como a condução autónoma ou a mobilidade partilhada melhorará o fluxo do tráfego e ou a necessidade de lugares de estacionamento e, simultaneamente, reduzirá o stresse nas deslocações quotidiano. Mais qualidade de vida. Tanto na Feira de Eletrónica de Consumo (Las Vegas), como no Salão de Detroit, encontrámos ideias concretas e projetos sérios, não manobras de marketing ou histórias ficção científica…
Como os EUA não são o Mundo, todos os construtores estão empenhados na mudança de paradigma quer no automóvel, quer na mobilidade, empenhando recursos financeiros e humanos no desenvolvimento do futuro, socorrendo-se do know-how de tecnológicas e parceiros fora da indústria mais capazes de acelerarem a revolução. Não há marcha-atrás no percurso, mas o futuro, queira-se ou não, não é amanhã.