Ponto final no Diesel: sim ou não?

Vendas caíram a pique em 2018, mas marcas ainda necessitam da tecnologia

Opinião

Por José Caetano 03-02-2019 11:14

O futuro mantém-se incerto, pelo menos no que respeita ao caminho do automóvel. A eletrificação, empurrada pelo anúncio de normas de emissões de gases de escape cada  vez mais restritivas, sobretudo na Europa – nos EUA, mudança de paradigma arrumada na gaveta, com o apoio da Administração Trump –, não para de ganhar adeptos, mas o  mercado globalizou-se e os fabricantes necessitam de soluções para atacarem todas as frentes da batalha… Ponto final no(s) Diesel, sim ou não?!


Considerando os números disponíveis,  previsões possíveis… Na Europa, até outubro do ano passado (ainda não existem registos mais recentes), a procura abrandou de forma expressiva, de 61% das vendas em 2017 para 53,2% no período homólogo de 2018. Em Portugal, movimento semelhante. Em apenas 12 meses, diminuição na quota de 42,5% para 36,5%. Mas, o que parece positivo, para os construtores, é negativo. Acelerando a tendência, mais dificuldade no cumprimento  das metas de diminuição das emissões de CO2 com introdução planeada para… 2020!


É verdade que os Diesel poluem o ar com óxidos de nitrogénio (NOx), mas há sempre a outra face da moeda. Assim, comparados com os motores a gasolina, são cerca de 15% mais eficientes nos consumos de combustível, o que originam menos emissões de CO2. Por isso a tecnologia continua entre os pilares estratégicos da maioria dos construtores de automóveis comprometidos com o cumprimento das regras de proteção ambiental. E, no imediato, a tecnologia não tem alternativa viável. ss


Desde setembro de 2018, todos os automóveis com mecânicas Diesel passam por teste de homologação muito rigoroso, para certeza da conformidade com os limites de NOx, de 160 miligramas por quilómetro, inscritos na norma Euro 6d-TEMP. Recuando-se até 1992, à época da introdução do protocolo de emissões Euro 1, máximo de 600 mg – ou mais! Neste período de tempo, que progressos… A introdução do Real Driving Emission (RDE), protocolo que regista os gases de escape reais na condução quotidiana, originou corrida à limpeza dos motores a gasóleo, que também acabou com as incertezas sobre a manipulação dos resultados, maiores depois de conhecido o escândalo que abalou os alicerces do Grupo VW. Em setembro de 2015, nos EUA, conheceu-se, publicamente, que o consórcio alemão tinha adulterado os resultados de mais de 11 milhões de automóveis comercializados em todo o Mundo.


Depois, as dúvidas instalaram-se entre os consumidores, igualmente  confrontados com proibições de circulação em várias cidades. Mas, com a massificação do Euro 6d-TEMP, talvez regresso da confiança e travagem no decréscimo da procura. Ou muitos sarilhos para a generalidade das marcas, considerando que a eletrificação acontecerá (muito…) mais lenta do que rapidamente. Resposta à pergunta «ponto final no(s) Diesel: não, no curto prazo; sim, no longo.

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