O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, adotando bola de cristal e não regulamentos europeus ou nacionais para sustentação da teoria, anunciou que os Diesel têm os dias contados, ignorando o impacto da informação tanto no mercado automóvel, como na indústria que lidera a tabela dos exportadores do País, por colocar lá fora 97% do que faz cá dentro. Politicamente, errado. Recordem-se as palavras (sábias) de Mark Twain, o pseudónimo do escritor norte-americano Samuel Langhorne Clemens (1835-1910): «As notícias sobre a minha morte são exageradas».
O futuro do automóvel mantém-se incerto. A eletrificação, empurrada por limites de gases de escape cada vez mais restritivos, na Europa. Considerando os números disponíveis, algumas previsões possíveis. Na Europa, até outubro do ano passado, a procura travou de 61% em 2017 para apenas 53,2% no período homólogo de 2018. Em Portugal, movimento semelhante. Em 12 meses, diminuição na quota de 42,5% para 36,5%. Mas, o que parece positivo, para os construtores, é negativo. Acelerando a tendência, mais dificuldade no cumprimento das metas de diminuição das emissões de CO2 com introdução planeada para 2020!
É verdade que os Diesel poluem o ar que respiramos com óxidos de nitrogénio (NOx), mas a moeda tem outra face. Comparados com os motores a gasolina, são 15% mais eficientes no consumo. E, assim, menos CO2. Logo, a tecnologia continua entre os pilares estratégicos dos construtores comprometidos com a proteção do ambiente. No imediato, não há alternativa viável.
Desde setembro de 2018, todos os automóveis Diesel passam por teste de homologação rigoroso, para garantia de conformidade com o limite de NOx, de 160 miligramas por quilómetro, inscrito na norma Euro 6d-TEMP. Recuando-se até 1992, à implementação do Euro 1, máximo de 600 mg – ou mais! Que progressos… A introdução do Real Driving Emission (RDE), que mede os gases de escape na condução quotidiana, originou corrida à limpeza dos motores a gasóleo, que também acabou com as incertezas sobre a manipulação dos resultados, maiores depois de conhecido o escândalo que abalou os alicerces do Grupo VW (setembro de 2015).
Depois, dúvidas instaladas entre os consumidores, igualmente confrontados com proibições de circulação em várias cidades. Mas, com a massificação do Euro 6d-TEMP, talvez recuperação da confiança e travagem no decréscimo da procura, mas não com declarações alarmistas e pouco razoáveis. Ou problemas para as marcas, considerando que a eletrificação realizar-se-á mais lenta do que rapidamente. Logo, «Ponto final no Diesel?»: não, no curto prazo; sim, no longo.