SUV ‘salvam’ as vendas na Europa

Procura do formato aumenta 5,9%, para quota recorde de 36,1%, mas mercado ‘trava’ 2,5%...

Opinião

Por José Caetano 24-09-2019 09:35

Fotos: Gonçalo Martins

Na semana da edição de 2019 do IAA de Frankfurt, na Alemanha, com muitos elétricos e híbridos entre as novidades – a indústria compromete-se com a mudança no paradigma dominante há mais de 100 anos –, conhecemos os números finais das vendas de automóveis novos na Europa no 1.º semestre do ano. O futuro contra o presente, a razão e o pragmatismo contra o impossível, no imediato, de forma instantânea! Comparativamente ao mesmo período de 2018, travagem de 2,5% na procura, para 8,48 milhões de ligeiros de passageiros. E apenas 41% registados por particulares…


Este ano, entre janeiro e junho, comercializaram-se mais 171.569 crossovers e Sport Utility Vehicles (SUV) do que no mesmo período de 2018, consequência do aumento do número de modelos no mercado, com todos os fabricantes de olho no formato. No entanto, como berlinas, carrinhas monovolumes, coupés e cabrios são cada vez menos atrativos para os consumidores europeus (combinados, menos 389.044 exemplares, ou perda de 6,7%, para 5,42 milhões de unidades), nas matrículas, menos em vez de mais.


Dissecando os números do mercado europeu, apenas a procura de elétricos superou a de SUV, com crescimento de 88% (!), para 161.695 exemplares. Ainda assim, é uma gota de água no oceano de 8,44 milhões de automóveis. No topo das vendas, Tesla Model 3 (37.227), à frente de Renault Zoe (23.914) e Nissan Leaf (16.104). Não menos relevante: travagem relevante nas vendas de carros a gasóleo, com perda expressiva na quota do Diesel, de 2018 para 2019, de 36% para 31%. Paralelamente, mais gasolina, com crescimento na quota de 57% para 60%. As tecnologias alternativas também progrediram, representando 7,5% das matrículas. Em 2018, a categoria valia 5,7%. A marcha do progresso é mais lenta do que rápida.


Considerando o estado de emergência na indústria automóvel, o motor do bem-estar económico na Europa, devido à obrigação do cumprimento de normas de proteção ambiental que limitam cada vez mais os gases de escape (a partir de 2021, multas milionárias para os fabricantes fora da lei, talvez com o potencial de hipotecarem o futuro de diversas empresas!), os números do 1.º semestre do ano aumentam o pessimismo, não o otimismo. Os cálculos das autoridades europeias far-se-ão com base nas matrículas e, genericamente, os SUV são maiores e mais pesados que os demais modelos – logo, também menos eficientes. Sem apoios públicos (quais?!), mudança de paradigma impossível.

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