Números cada vez mais alarmantes

Mais vendas de carros novos em setembro, mas menos no acumulado de 2019

Opinião

Por José Caetano 19-10-2019 09:05

O tempo não pára, 2020 quase, quase à porta. No próximo 1 de janeiro, princípio de revolução no automóvel, com o arranque da contagem das matrículas dos carros novos na Europa para cálculo das emissões de dióxido de carbono (CO2). Em 2021, multas aos fabricantes que violem o limite de 95 g/km para a média da frota, com o pagamento de 95 € por viatura, por grama a mais. Na linha do horizonte, garantidamente, problemas (muitos e sérios) para os protagonistas da indústria. Como válvulas de escape, corrida mais ou menos planeada às tecnologias da eletrificação e prenúncio de redução das gamas, com diminuição do número de motores imposta pela obrigação de eliminação dos menos eficientes, a gasolina ou Diesel.


Para não alimentarmos as claques que enchem as redes sociais, privilegiamos o pragmatismo ao ceticismo e ao otimismo. Os números das vendas de automóveis novos cá dentro e lá fora são muito alarmantes, sim! Analisando o comportamento dos mercados mais importantes do Velho Continente, percebe-se o socorro da fórmula da antecipação de matrículas para escoamento rápido dos excessos de carros com motores poluentes. Os programas apoiam-se em descontos e incentivos que esmagam as margens de lucro, degradando o negócio e penalizando todos os protagonistas dependentes da atividade comercial, das marcas aos concessionários. No entanto, em contrapartida, para os clientes, sobretudo para os particulares, oportunidades de negócios...


Explica-se, também assim, o crescimento de 13,9% nas matrículas de ligeiros de passageiros no nosso País em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2018. Ainda assim, no acumulado do 2019, igualmente no frente a frente com os primeiros nove meses do ano passado, os números mantêm-se abaixo da linha de água, com variação negativa de 4,7%. 


Por marcas, nos resultados mensais, Renault n.º 1, com progressão de 90,9% (!), à frente de Peugeot (-0,2%), Mercedes (+5,2%), Fiat (+72,2%) e Citroën (+14,7%). Ainda no top-10, mais três destaques: BMW 6.ª (-34,9%), Opel 7.ª (-46,5%) e Seat 8.ª (+54,7%).


Os resultados de setembro contrastam com os do acumulado do ano, sobretudo no caso da marca mais vendida em Portugal há mais de duas décadas, com o lançamento de geração nova do Clio, tão-somente o automóvel mais vendido no nosso País, entre as razões por trás dos números: entre janeiro e setembro, Renault perdeu matrículas (11%) e quota (13,32% em vez de 14,25%).

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