Usados recuperam selo de qualidade

Associação Automóvel de Portugal reintroduz programa que credibiliza um negócio de milhões

Opinião

Por José Caetano 04-11-2019 10:25

A importância do automóvel no nosso País é reconhecida, mas os políticos ignoram-na, por pensarem no imediato e não no futuro. Incentivos à renovação de parque envelhecido, que penaliza meio ambiente e segurança rodoviária? Não! Apoio consistente à mudança de paradigma, com a troca das mecânicas a gasolina e gasóleo por sistemas híbridos e elétricos ou investimento massivo nas infraestruturas de carregamento das baterias? Só q.b.! Percebe-se a razão… Para o Estado, independentemente dos partidos nos governos, prioridade à proteção de receita que representa 19,5% das cobranças fiscais anuais. Impostos, taxas e taxinhas penalizam a compra e a utilização, sufocando consumidores e 29.000 empresas. O setor vale 33.700.000 euros por ano e 160.000 empregos.

Em novembro e dezembro, antecipamo-lo, crescimento muito expressivo no comércio de carros novos, com marcas obrigadas a anteciparem matrículas, devido ao ponto final na produção dos motores que não cumprem as normas de gases de escape. Depois, promoções e saldos para escoamento das viaturas, degradação de negócio cada vez menos lucrativo. O impacto da política europeia para o automóvel (indústria e mercado) conhecer-se-á no médio prazo, mas não precisamos de bola de cristal: à vista, revolução no mapa do setor, depois de processo de seleção da espécie!

Neste cantinho, durante os primeiros nove meses do ano, comparativamente ao mesmo período de 2018, travagem de 4,7% nas vendas de ligeiros de passageiros. Se acertarmos na previsão de aumento de velocidade nas vendas (leia-se matrículas), no final do ano, talvez mais em vez de menos registos de carros novos. No entanto, no mercado nacional, o comércio de usados é cerca de duas vezes e meia maior (570.000 viaturas em 2018, contra apenas 228.000 exemplares zero quilómetros), de acordo com a Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

Saúda-se, por isso, o relançamento do Programa Usado ACAP. Assim, reintroduz-se selo de qualidade importante para compradores e vendedores, atacam-se as práticas ilegais que mancham a credibilidade e a imagem dos operadores do setor. As empresas aderentes comprometem-se com a realização de auditorias independentes que avaliam o cumprimento do protocolo, incluindo garantias e históricos e quilometragens das viaturas. E, assim, contribui-se, também, para a renovação do parque automóvel: em média, os carros usados têm até cinco anos, menos de metade da idade média dos ligeiros de passageiros em Portugal: no final de 2018, 12,6 anos!

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