China espirra, Mundo constipa-se

Segundo ano consecutivo de travagem nas vendas de carros, depois de 28 anos de crescimento

Opinião

Por José Caetano 08-02-2020 09:10

Na semana do Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, cimeira que reuniu mais de meia centena de chefes de estado, combate às alterações climáticas novamente na primeira linha da atualidade, outra vez com o automóvel e a mudança no paradigma dominante há mais de 100 anos no olho do furacão... O caminho faz-se caminhando, o progresso não é instantâneo. Os números das vendas de carros novos em 2019 confirmam-no!


O ano passado, 2.º ano consecutivo de travagem nos registos de automóveis novos na China, com quebra de 8,2%, na comparação com 2018, para menos de 25,8 milhões de carros. Ainda mais significativo: pela 1.ª vez, a procura de elétricos diminuiu, abrandando 1,2%, para apenas 972.000 carros. Simultaneamente, decréscimo de 15% no comércio de híbridos com sistemas de carregamento externo das baterias (plug-in), para 232.00 unidades.


A eletrificação do automóvel far-se-á, sim!, mas muitíssimo mais lenta do que rapidamente, ao contrário do que antecipavam analistas de renome dentro e fora da indústria. A capacidade das baterias condiciona as autonomias dos carros e os tempos de (re)carregamento são demasiado lentos. Somando-se-lhes as limitações das infraestruturas, percebe-se a dimensão do problema! De forma autónoma, sem apoios/incentivos públicos, indústria incapaz de acelerar a passagem das mecânicas térmicas para os motores elétricos. 


O exemplo da China é paradigmático… Depois de período prolongado de progresso(s) na economia, com 28 anos consecutivos de crescimentos nas vendas de automóveis novos (maior mercado mundial desde 2010, à frente dos EUA), os fabricantes confrontam-se, pela 1.ª vez!, com a necessidade de abrandarem os ritmos de produção, desmantelarem linhas de montagem e eliminarem postos de trabalho. Na era da globalização, as réplicas do terramoto sentem-se nos quatro cantos do Mundo. 


Também nos EUA, de 2018 para 2019, redução na procura, com desaceleração de 1,5%, para cerca de 17,1 milhões de carros novos. Menos mal… Trata-se de registo próximo do recorde de 17,5 milhões (2016) e muito acima do mínimo histórico de apenas 10,5 milhões (2010). Na Europa, otimismo moderado. O ano passado, progresso de 1,2%, para pouco mais de 15,3 milhões de automóveis. Promoveu-o a Alemanha, o motor económico do Velho Continente, com crescimento de 5,1%, para mais de 3,5 milhões de viaturas, número registado pela 1.ª vez.

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