É o princípio do fim do(s) Diesel…

A reputação dos motores a gasóleo degrada-se quase diariamente desde setembro de 2015

Opinião

Por José Caetano 23-05-2018 18:15

Na Alemanha, tribunal considerou que Düsseldorf e Estugarda possuem legitimidade para aprovarem medidas que travem os níveis de emissões de óxidos de nitrogénio (NOx). Em 2017, 66 municípios alemães excederam os limites europeus. Para promoção da qualidade do ar, proibição de circulação dos Diesel mais velhos. Na Alemanha, direta ou indiretamente, 12 milhões de carros em xeque, desvalorização dos usados, travagem na procura.

Mantemos o que escrevemos anteriormente – na ausência temporária de mecânicas a gasóleo na Porsche, recordámos Mark Twain: «As notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas»… –, mas esta decisão representa, de facto, o princípio do fim do(s) Diesel, que regista(m) desaceleração rápida nos níveis de popularidade desde setembro de 2015, após o escândalo da manipulação dos gases de escape em mais de 11 milhões de TDI do Grupo VW. O episódio destruiu a imagem dos motores a gasóleo e iniciou corrida à eletrificação. Simultaneamente, cidades e países aprovaram limitação/eliminação da tecnologia.

Em 2017 na Europa, as vendas de viaturas com motores a gasóleo desaceleraram 7,9%, para a quota de mercado mais baixa em 10 anos: 43,7%. Em 2025, diz-se, corresponderão somente a 25%, contra 52% em 2015! A decisão do Tribunal de Leipzig, criticada por Berlim e indústria poderosa económica e socialmente (870.000 postos de trabalho), acelera, seguramente, a mudança de paradigma.

A batalha da União Europeia contra os gases de escape começou em 1992, com a imposição, para 2013, de limite de 2,72 g/km para o monóxido de carbono e 0,97 g/km de NOx, para os modelos a gasóleo. Em 2011, com a adoção da norma Euro 5, NOx abaixo de 0,18 g/km e Diesel com descontaminação dos gases de escape, incluindo filtros que capturassem, nos escapes, 99% das partículas. Em setembro de 2015, Euro 6, democratização dos filtros de partículas e dos dispositivos para conversão dos óxidos de nitrogénio (0,08 g/km como máximo) em elementos inofensivos. No entanto, até os motores mais limpos de sempre estão debaixo de fogo!

Mas, há mais história: as emissões de CO2 derivam do consumo e os motores a gasóleo são mais eficientes do que as mecânicas a gasolina e os sistemas híbridos. No imediato, tecnologia fundamental para o cumprimento de normas mais restritivas na Europa, com a mudança de protoloco de homologação (WTLP no lugar do NEDC), para números mais próximos dos do quotidiano. E, assim, registando tão grande dependência da espécie, extinção mais lenta do que rápida.

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