A importância de Elon Musk e da Tesla na história do automóvel conhecer-se-á no futuro. Atualmente, dispomos de perceções, positivas e outras negativas. A empresa fundada em 2003 pelo empreendedor de origem sul-africana que a Forbes classifica como o 52.º mais rico do Mundo está no mercado desde 2008, mas nem o Roadster descontinuado em 2012, nem os modelos revelados depois, Model S e Model X, garantiram o cumprimento do objetivo de qualquer negócio: a criação de riqueza (dinheiro, não conhecimento). Mas os resultados negativos nunca provocaram desvalorização dos títulos em bolsa. Pelo contrário, o capital acelera mais vezes do que desacelera.
Fabricando-se cerca de 90 milhões de automóveis/ano, os números da Tesla representam gota no oceano. Recentemente assinalou-se a transposição da barreira dos 300.000 carros em quase 10 anos. Pouco depois, a linha de montagem do Model 3 parou. A viatura faz-se a conta-gotas, impossibilitando a satisfação da procura nos EUA e a introdução noutros mercados. Originalmente, o objetivo é de 20.000 unidades por mês, mas a marca nunca fez mais de 8000. Assim, 500.000/ano, miragem.
Os rumores sobre a necessidade de aumento de capital coincidiram com este episódio, não por acaso, mas Musk desmentiu-os e, surpreendendo tudo e todos, garantiu que a Tesla não precisa de mais financiamento (falava-se em 3000 milhões de dólares!) como é capaz de terminar 2018 no verde. O milagre da multiplicação dos pães explica-se com a inexperiência na produção em massa. A carteira de clientes continua a aumentar, com cerca de 500.000 candidatos a proprietários do Model 3 em lista de espera, aparentemente muito pouco preocupados com o facto…
A Tesla conta com mais dois automóveis na rampa de lançamento: o SUV Model Y, em 2019, e a 2.ª geração do Roadster, em 2020. Até lá, seguramente, resolver-se-ão os problemas de produção na origem da travagem no crescimento da marca com lugar na história desde 2017, quando conseguiu, pela 1.ª vez, valorização em bolsa acima da de Ford ou General Motors. Entre os méritos de Musk, visão, persistência e capacidade de apresentação do potencial do carro elétrico, com as performances de Roadster, Model S, Model X & Cia. a confirmarem que é possível associar emoção e prazer na condução às tecnologias amigas do meio ambiente. Entre os deméritos, falta de investimentos na criação de rede de distribuição para competir com os construtores de topo, todos com planos de eletrificação muito ambiciosos. Por otimismo a mais ou sobranceria, risco de xeque-mate?!