Uma visão apocalíptica de 2050

A eletrificação do automóvel resolve só parte do problema. Energia 100% limpa, precisa-se!

Opinião

Por José Caetano 04-06-2018 09:00

A história não é nova, mas recorda-se: atualmente, as marcas montam automóveis com componentes fabricados por terceiros. Vivendo-se tempo de mudança de paradigma, com os sistemas híbridos e elétricos a substituírem os motores térmicos, protagonistas secundários determinantes para o futuro da mobilidade, como o consórcio alemão Schaeffler, que tem 170 instalações em 50 países e emprega cerca de 90.000 funcionários. Em 2017, vendas de 14.000 milhões de euros...

Os números da Schaeffler, empresa (re)conhecida pela capacidade de inovação, impressionam, embora menos do que a visão que tem do futuro do automóvel, apocalíptica, no caso de inação. Há dois anos, antecipando-o, adoção do programa estratégico «Mobilidade para o Amanhã». Objetivo: acelerar as transformações nas indústrias do automóvel e da energia, indispensáveis para garantia de futuro. O caderno de encargos assenta numa abordagem holística que reconhece o impacto dos transportes nas emissões de dióxido de carbono (CO2) responsáveis pelo aquecimento global.

A proposta de soluções inclui proteção total do clima que não sacrifique, nem penalize a mobilidade, condição para mais desenvolvimento económico e social, progresso em vez de retrocesso civilizacional, que nunca aceitaríamos, pacificamente, pelo menos. E, contra factos, que argumentos?! Segundo estudo da Schaeffler, de leitura obrigatória!, 70% das emissões de CO2 resultam da combustão dos combustíveis fósseis, com os transportes a representarem 25% do valor total. Sem socorro imediato do Planeta, em 2100, com aumento de 5º C na temperatura média, a caminho do apocalipse.

Independentemente da dimensão e da quantidade de alertas, a produção de viaturas não abranda. Pelo contrário, devido a explosão demográfica que coincide com crescimento de diversos países subdesenvolvidos, antecipa-se aumento do volume para 120 milhões de automóveis em 2050, contra 97,31 milhões de 2017 e 58,39 milhões em 2000, combinando ligeiros de passageiros e comerciais. Em 2050, previsão de 2000 milhões de carros em circulação nos quatro cantos do Mundo! Mas, menos mal... Investindo-se na modernização tecnológica, nesse ano, 80% dos carros vendidos serão 100% elétricos e 16% híbridos, sobrando apenas 4% com motores de combustão. Mesmo confirmando-se a impossibilidade produzirmos apenas energia limpa dentro de três décadas, aquecimento de menos 3º C. Assim, talvez… futuro!

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