CO2: mais em vez de muito menos

Em 2017, pela 1.ª vez em 10 anos, crescimento na média das emissões de dióxido de carbono

Opinião

Por José Caetano 27-05-2018 08:00

A indústria automóvel confronta-se com problema gravíssimo. As emissões de dióxido de carbono (CO2), em vez de diminuírem, aumentam. Assim, o cumprimento de regras restritivas, como a média de 95 g/km para as frotas de todos os construtores em 2020 (NEDC) e 2021 (WTLP), apresenta-se como missão impossível, sobretudo introduzindo-se a mudança de protocolo para medição dos consumos de combustível e dos gases de escape, com agravamento dos resultados.

O ano passado, lê-se em relatório da JATO Dynamics, a média de CO2 nos carros novos matriculados na Europa (o estudo considerou 23 países, incluindo o nosso), aumentou 0,3 g/km, para 118,1 g/km, comparativamente a 2017. Tratando-se do 1.º crescimento em 10 anos, alarme! Entre as razões na origem da marcha-atrás, sem surpresa, declínio na procura dos motores a gasóleo, que travou 7,9%, para 6,77 milhões de viaturas, com abrandamento na quota para 43,8%, o nível mais baixo desde 2003, quando os Diesel significaram somente 43,4%, ou menos 11,1 pontos percentuais do que em 2011.

A tendência acentuar-se-á nos próximos anos, mas a quebra na procura das mecânicas Diesel não representa, obrigatoriamente, mudança de paradigma, com a compra de mais automóveis eletrificados, incluindo modelos com baterias e híbridos com sistemas de recarga externa (plug-in)! Em 2017, as vendas de modelos com mecânicas a gasolina aceleraram 10,9%, com progressão de 3% na quota, de 47% para 50%. Durante o mesmo período, a procura de elétricos, híbridos & Cia. melhorou de forma menos expressiva, tanto no volume, como na quota (5% em vez de 3%). Limitações na autonomia e no número de pontos de carregamento explicam o ceticismo dos consumidores.

Como as vendas de SUV não param de aumentar, sarilhos! O problema não é maior só devido à introdução de modelos compactos com consumos moderados. Prova-o a média de CO2 na categoria, que diminuiu de 134,9 g/km para 133 g/km. Mas, globalmente, o sucesso do formato da moda no mercado automóvel contribuiu para o saldo negativo, pior nos mercados maiores do que nos mais pequenos – Portugal submotorizado figura no 2.ª lugar de tabela liderada por Noruega eletrificada (médias de 104,2 e 83,6 g/km, respetivamente).

Outra curiosidade – e não apenas estatística: o ano passado, nos Diesel, média de 117,9 g/km, contra os 123,4 g/km dos modelos a gasolina; nas potências, 142 cv e 123 cv, respetivamente.

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